(Baseado em Êxodo capítulos 1 e 2)
Estes dois primeiros capítulos de Êxodo que abordaremos a seguir, são muito profundos em seu conteúdo, é tanto, que o titulo dado, foi tudo quanto fomos capazes de conseguir, na difícil tentativa de dar uma direção a esta mensagem, mas reconhecemos que ele não expressa toda a grandeza e riqueza dos ensinos e princípios neles contidos, mas por certo, faremos bem em entendê-los e aplicá-los às nossas vidas, pois eles serão capazes de nos fazer descobrir, quão poderosa é a Palavra de Deus, quão atual e necessária, e com certeza, nos desafiará, corrigirá, e fará crescer a nossa confiança em Deus.
São inúmeros os princípios aqui encontrados, e procuramos não deixar nenhum de fora, ainda que ciente, de que muitos outros princípios escaparam à nossa
percepção, e também ciente da nossa incapacidade de colocá-los numa ordem lógica, entretanto, a medida que o Espírito Santo iluminava nosso entendimento para captar do texto as mensagens, eles foram sendo apresentados, mas ainda assim, tenho a plena certeza de que Deus usará esta palavra, para edificar e abençoar muitas vidas, sendo esta a minha esperança e objetivo, como instrumento nas mãos do meu Deus.
Muito nos ajudará, fazer uma breve exposição do contexto, para que seja ampliada a nossa visão e entendimento do texto em questão, e para desde já, mudar o nosso conceito, de que não existe coincidência, mas, providência. Tudo quanto aqui é narrado, está recheado da providência de Deus.
Glória a Deus, pois tudo está no seu controle, tudo se dirige para o fim que Ele determinou, e por si, este fato já nos trás um grande consolo, é maravilhoso saber que nosso Deus, está no controle de todas as coisas, inclusive da história humana.
Porque o povo de Israel se encontrava no Egito? Devemos nos lembrar, que quando Deus chamou Abraão, fez com ele uma aliança e também promessas, entre as quais, a de que ele seria uma grande nação, e a de que seus descendentes herdariam uma terra (Gênesis 12:1-3, 7). Esta aliança foi ratificada com Isaque (Gênesis 26:2-5) e Jacó (Gênesis 35:11-12) - que foi pai dos doze patriarcas. Tanto no tempo de Abraão (Gênesis 12:10), como no de Isaque (Gênesis 26:1-2), e no de Jacó, (Gênesis 46:1-4), o Egito parecia ser um refúgio, e o celeiro dos famintos.
Toda a história de José, nos dá o pano de fundo do inicio da narrativa de Êxodo, e a resposta da pergunta acima. José, que se tornara o governador e salvador do Egito, era querido e respeitado por Faraó, levou toda a sua família, na época da grande fome dos sete anos, para lá morar, e lá eles se estabeleceram (Gênesis 47:1-12), e assim é que se inicia o Êxodo.
Passou toda aquela geração, e subiu ao trono um rei que nada sabia sobre José (1:8), aqui surge nosso
primeiro princípio, Desconhecer a história do passado, é prejudicial, e pode nos levar a tomar atitudes irracionais, ingratas e injustas. O simples fato de aquele líder, juntamente com seu povo, não conhecer a própria historia, leva-os à cometer ingratas injustiças com aqueles que um dia os salvou, e ao invés de terem para com eles atitudes de gratidão e respeito, cometem injustiças e barbaridades.
Se tão somente este principio fosse observado mudaria muito o rumo das nossas vidas, das nossas Igrejas e até da nossa nação. Quantas vezes cometemos os erros e as injustiças de Faraó? Quantas vezes cometemos os mesmos erros do passado? Porque não aprendemos com os erros já cometidos para não mais cometê-los? Quantos adultérios deixariam de ser cometidos tão somente aprendêssemos com a história de Davi? Quantos outrora benfeitores, hoje são caluniados, maltratados e perseguidos? Mas o pior de tudo, é, como podemos não levar em conta a história, se o nosso Deus é o Senhor da história e nela atua? Aprendendo com a história, encontramos os poderosos atos de Deus.
Um segundo princípio que sobressai, é que, O medo, o preconceito e a inveja, levam à atitudes hostis e irracionais. Veja, tudo que o Faraó pensava, não passava de meras suposições e pré-julgamentos, suas deduções, não eram baseadas em fatos, mas este medo, o levou as desastrosas decisões.
Quantas vezes nós nos vemos subjugando e julgando outras pessoas baseados em meras suposições, preconceitos ou mesmo inveja? Você pensa que alguém quer te derrubar, então começa a perseguir, a desfazer, a falar mal, a desonrar. Você acha que alguém não gosta de você e começa a imaginar que o está perseguindo, caluniando, difamando, e passa a ter atitudes desastrosas, irracionais e não baseadas em fatos. Esta é a síndrome de Faraó.
Um terceiro princípio desponta, e diz que, O povo de Deus também sofre. Quantos romantizam a vida cristã e depois se frustram? Quantos reclamam para Deus que são fiéis e no entanto sofrem tanto, até mesmo injustiça daqueles que são ímpios? Quantos reclamam que vêem o ímpio prosperar enquanto o povo de Deus é oprimido e explorado? Este texto não corrige em muito a nossa visão? Ele não nos conforta ao menos ao desfazer a idéia errada que temos de que, pertencer a Deus, significa imunidade ao sofrimento, e não nos poupa da decepção, do desânimo e da murmuração? Este texto também não nos conforta por nos fazer lembrar, que há promessas de libertação e vitória e elas virão?
Aliás, disse alguém muito acertadamente, respondendo à pergunta: Porque Deus permitiu seu povo sofrer tanto? “Para que nascesse neles o desejo de sair do Egito, e se lembrassem da aliança e de que o seu lugar não era ali. Eles precisavam desejar a Terra Prometida.” Pois é amado, parece mesmo, que quando o mundo nos atrai, e se torna bom demais, confortável, a ponto de nos acomodar, Deus precisa usar um tratamento de choque, para que não venhamos a nos esquecer da aliança que temos com Ele, e para que não percamos o desejo pela Terra Prometida.
Aqui também aprendemos, que, O sofrimento leva ao clamor, e o clamor move o coração de Deus. Ficar murmurando e se queixando pelos cantos, não mudaria a situação deles, eles precisaram clamar, clamar com fé, clamar por libertação, reclamar de Deus o cumprimento de Suas promessas. Quais tem sido as suas atitudes diante do sofrimento? Saiba que clamar é a melhor saída, pois o clamor move o coração de Deus, o clamor O leva a agir.
E pode estar certo de que, Deus age na hora certa. Há um ditado que diz, “Deus tarda mas não falha”, e disto discordo, mas posso afirmar, por este texto, que Deus não tarda e nem falha, Ele age na hora certa. Só precisamos aprender que há o tempo de Deus, em (Gênesis 15:13-14), encontramos Deus preparando seu povo, sobre o que haveria de acontecer a eles, e o que Deus faria, e em (Êxodo 2:23-25), encontramos Deus agindo. No tempo certo, Ele faz cumprir as suas promessas. Ele agirá, mas no tempo certo, no tempo dEle. Então lembre-se sempre que Deus cumpre as Suas promessas, e sempre nos prepara para as situações difíceis. Creia nisto.
Saiba também que, Quando Deus tem uma missão a ser realizada através de nossas vidas, Ele nos guarda e livra. Muitos outros meninos morreram, mas Moisés, foi poupado e guardado por Deus, ele era um escolhido, por meio dele Deus iria libertar o Seu povo. Se Deus tem algo a realizar por meio de tua vida, saiba, Ele te guardará e te livrará até que cumpras a missão por Ele determinada.
Vale então se perguntar: Deus tem me chamado, tem me escolhido, tem me separado para realização de uma obra? Olha, não adianta fugir, e nem dá para fugir, pois nem a morte pode frustrar os planos de Deus. O melhor mesmo, é não relutar, mas descobrir como e onde Deus quer me usar para Sua glória.
Veja que, não bastasse a “coincidência” de estar aquele povo ali no Egito, agora uma nova “coincidência”, a filha de Faraó indo tomar banho exatamente naquele dia e local que Moisés havia sido deixado, mas não foi só o encontro, também precisou haver nela um sentimento de compaixão (pois ela sabia da sentença de morte para os meninos hebreus, e sabia que aquele menino no cestinho, era hebreu).
Você vê que nada acontece por acaso? Tudo faz parte da providência de Deus. E este texto nos confirma isto. Mas, o engraçado, é que há aqui também, uma ironia divina, o sentenciado à morte se torna protegido e sustentado por aqueles que um dia derrotará.
E quão grande foi a vitória daqueles pais, que desafiaram a ordem do rei, confiando no seu Deus, e com isto, não somente, não perderam o filho, como também garantiu o seu futuro, a sua segurança, ironicamente financiada por aqueles a quem temiam (Atos 7:22). Eles puderam reconhecer no “formoso” menino, um escolhido de Deus (Hebreus 11:23), e arriscaram a pele para salvá-lo, tudo por causa da fé. Certamente, precisamos nestes dias ter atitudes de fé como a dos pais de Moisés. Quanto você é capaz de correr riscos por causa da sua fé?
Os pais de Moisés, também nos ensinam que “ensinar a criança no caminho que deve andar” vale a pena, pois seu filho, mesmo tendo ido morar e estudar no palácio, estando exposto a toda sorte de idolatria e costumes pagãos e riquezas, não se corrompeu.
Seria também ironia a “profecia” do brigão murmurador (1:14), até de jumentos Deus pode arrancar profecias. E que dizer da estratégia da mãe de Moisés, ou do cuidado, atenção e agilidade da sua irmã? Que dizer desta segunda vez em que uma arca é usada para salvação? Ou da descoberta de que o povo era perseguido exatamente naquilo em que eram abençoados, pois, a multiplicação, era uma bênção de Deus, e fazia parte do cumprimento de Sua promessa, mas, isto incomodava os ímpios,
trazendo medo e temor. Será isto um princípio, que, naquilo em que somos abençoados por Deus, é onde seremos odiados e perseguidos?
E quanto àquelas parteiras? Que grande foi seu respeito pela vida. Quanto elas podem ensinar a muitos que hoje não valorizam nem respeitam a vida humana? E quanto ao seu desrespeito ao rei em temor à Deus, elas não nos ensinam um princípio? O de que, enquanto obedecer às autoridades humanas, não significa desonrar a Deus, é licito e bíblico, mas, quando obedecer as autoridades humanas, significar desonrar a Deus, é permitida a rebelião, pois importa antes obedecer à Deus que aos homens.
Mas aprendemos também, que, mesmo entre os ímpios, há sensatez. E aqueles que agem com bondade para com o povo de Deus, recebem as bênçãos do Senhor. Também aprendemos que uns são os planos do homem, mas os planos de Deus prevalecem.
Aquele rei, convoca todo seu povo para a injustiça, e isto nos alerta, que a nação fundamentada na injustiça, será castigada por Deus.
Muitas vezes há os altos e baixos nas nossas vidas, mas nós precisamos seguir crendo e confiando em nosso Deus. Veja este povo que chegou cheio de honras e prosperidade, agora são meros escravos, oprimidos e explorados.
Vemos aqui também, como as noticias ruins correm rápido (1:11-14)? Quem teria espalhado aquela notícia, seria o próprio homem que havia sido salvo? Você também é daqueles que vivem espalhando notícias?
Quanto a Moisés, precisou aprender que, não era por meio da espada que Deus libertaria seu povo, mas por meio do cajado (Atos 7:25). Que “nada há em oculto que não seja manifesto”. Que realizar a obra de Deus pela própria força leva à frustração. Que o arrogante e orgulhoso senhor do palácio, precisava se tornar um humilde servo, pastor de ovelhas. Ele precisava conhecer seu campo missionário – o deserto. Ele precisava aprender que nem ele estava pronto para libertar o seu povo, nem o povo estava pronto para ser liberto. Aprendeu ainda que Deus vem ao encontro do homem pecador, e recicla o lixo, transformando a escória da humanidade na escora da mesma, o lixo transforma em luxo. Ele é poderoso para usar até mesmo um pecador “assassino” e transformá-lo num vaso útil em suas mãos, “onde abunda o pecado superabunda a graça.”
Você também é pecador? Não se desespere, são os pecadores que necessitam de Deus, e são estes que Deus usa, pois os santos não precisam dEle, e nem dependem dEle. Então há algo que o pode impedir de ser usado nas mãos de
Deus?
Mas não poderíamos terminar sem mostrar alguns paralelos entre estes acontecimentos e o Novo Testamento. Observe que eles, quanto mais eram oprimidos, mais se espalhavam e se tornavam numerosos, isto não nos lembra a Igreja cristã? Que quanto mais perseguida e oprimida, tanto mais crescia e se espalhava? E quanto as razões por que Deus permitiu as perseguições, não seriam as mesmas? A Igreja precisava sair de Jerusalém e se espalhar pelo mundo pregando o Evangelho, não podia se acomodar em Jerusalém.
Há um paralelo entre Faraó e Herodes decretando o genocídio (Mateus 2:16), mas nem Faraó, nem Herodes ou qualquer outro homem, poderão por fim aos planos de Deus. Os doze patriarcas, nos lembram os doze apóstolos. O pequeno número de pessoas que entrou no Egito, e a multidão que saiu, lembra o início da Igreja, que começou com poucos e se tornou esta grande multidão.
Que tanto o começo de Israel como nação, como o da Igreja, foram sofridos. Que ambos precisaram de um libertador. Que assim como os israelitas, se tornaram indesejáveis, por causa do seu crescimento, assim nós, como Igreja do Senhor, temos nos tornado indesejáveis ao mundo. Mas as vãs tentativas de controlar o crescimento do povo de Deus, fracassará.
E você, faz parte do Egito, ou faz parte do povo escolhido de Deus? Vale a pena fazer parte do povo de Deus, pois mesmo diante de todo sofrimento e perseguição que isto signifique, temos a certeza da Sua proteção, de ser amado por Ele, de estar incluídos nos Seus planos, de ser liberto da escravidão do pecado, de ser um herdeiro da Terra Prometida, de saber que quando clamamos Ele nos ouve e atende, pois é grande em compaixão.
É bom saber que Ele jamais falha, jamais nos esquece, jamais nos abandona, e um dia voltará e então, enxugará dos nossos olhos toda a lágrima, e nos dirá ”vinde benditos do meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Amém.