O PÁSSARO CATIVO

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Autor: Onésimo

Armas num galho de arvore
Um alçapão e em breve
Uma avezinha descuidada
Batendo as asas cai na escravidão.

Dá-lhes então por esplendida
Morada uma gaiola dourada
Dá-lhes alpiste, água fresca,
ovos e tudo.

Porque é que tendo tudo
Há de ficar o passarinho mudo,
arrepiado, triste e sem cantar?!

É que crianças, os pássaros não falam,
Gorjeando apenas sua dor exalam,
Sem que os homens, possam entender.

Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
 A este cativo pássaro dizer:
Não quero tua expendida gaiola.

Pois nenhuma riqueza me consola
De ter perdido aquilo que perdi.
Prefiro o ninho humilde plácido
Escondido entre os galhos das arvores amigas.

Solta-me covarde,
Não me roubas a minha liberdade,
Deus me deu por gaiola a imensidade
Quero voar.

Estas coisas o pássaro diria
E a tua alma criança 
Sentirá esta imensa aflição.
E a tua mão tremendo
Lhe abrevia a porta da prisão.