EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL

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Experiência Espiritual


(Mateus 17:1-13)


Experiência espiritual, é algo real, verdadeiro, importante e bíblico. É impossível ser cristão, e não crer nesta verdade. É impossível ser cristão, sem ter tido uma viva e real experiência espiritual com Deus, através de Jesus.

Quando o homem morto, em delitos e pecados, separado de Deus, alienado das realidades espirituais, vem a receber a vida de Deus e o impacto da sua graça salvadora e vivificadora, passando a ter comunhão com Deus, esta é sem dúvida, a vital e a mais nobre experiência, que o homem pode ter com Deus.

Mas, ao longo de nossa caminhada com Deus, desfrutamos de outros destes momentos solenes e especiais da graça divina. E são as interpretações equivocadas destas experiências posteriores à conversão, que tem trazido grande confusão à Igreja, no decorrer dos séculos, e mui especialmente, nos dia atuais.

Portanto, talvez mais do que nunca, precisamos de orientações a respeito deste tema, orientações estas, que sejam extraídas exclusivamente da Palavra de Deus, e que poderá vir, a nos livrar, de muitas ciladas, infortúnios, e mal entendidos.

Creio que muitos de nós, já passamos por momentos difíceis, por causa desta questão, então, tendo a direção segura, que vem da Palavra de Deus, poderemos por fim, às dúvidas e controvérsias, que têm sua origem no homem. E nenhum texto, é para mim, tão glorioso e central ao assunto, como esse da transfiguração, que está descrito nos três evangelhos (Mateus 17:1-13; Marcos 9:1-13 e Lucas 9:28-36, também é mencionado em 2Pedro 1:16-19). Este acontecimento, é o que podemos chamar, o “locus classicus” do assunto.

Se esta, não é maior, é uma das mais tremendas experiências espirituais, que um ser humano já pode experimentar. Por isso, vale a pena estudá-la, entendê-la, pois, certamente, não foi inspirada por Deus para ser apenas escrita em vão, antes, para que possa nos esclarecer e ensinar os princípios eternos que devemos aplicar as nossas vidas.

Vamos pensar então, em algumas questões gerais, que despontam no texto, antes de olharmos, as questões particulares, pertinentes às experiências espirituais.

Primeiramente, devemos destacar, a importância deste texto e deste acontecimento. Ele é tão central e importante, que é narrado, de modo idêntico, e dentro de um mesmo contexto, pelos três evangelistas. Esta, é um daquelas raras passagens, que tem unanimidade nos evangelhos. Portanto, lembre-se sempre deste detalhe, somente os textos, absolutamente essenciais, serão narrados assim, e com esta unanimidade, e este é o caso do texto que estamos estudando.

Em segundo lugar, o contexto, em que o texto aparece, é muito sugestivo, e também nos ensina, pois este texto, está inserindo, exatamente, nos momentos finais do ministério de Jesus, que antecederam a Sua crucificação, que foi o ápice da Sua missão, a consumação da obra que traria salvação à humanidade.

Portanto, estes momentos aqui, foram cruciais para Jesus e para os discípulos. Ele é o marco central da história da redenção, onde se encontram, os que foram usados no passado por Deus, o que estava sendo usado no presente e que era a razão de toda a fé, e que também realizaria a obra salvadora propriamente dita, e, aqueles que seriam usados no futuro, para proclamar a obra já consumada, os novos arautos, que levariam, por meio da pregação, a fé salvadora ao mundo inteiro. Era sem dúvida, um momento de decisão, de crise, de ansiedade, pois todo o nosso futuro estava aqui sendo traçado.

Terceiro, há aqui, um brilhante, resplandecente, e glorioso encontro entre a lei, os profetas, e a graça, entre, a antiga e a Nova aliança, entre, os que Deus usou no passado, o que Ele usava no presente, e os que Ele usaria no futuro.

Quarto, visualizamos aqui, um pouco, do que será a nossa recompensa vindoura, da glória que nos espera no porvir, uma prova de que a ressurreição será uma realidade, e uma prova, de que a reencarnação, é uma mentira.

Quinto, temos aqui, o cumprimento de uma promessa que Jesus fez a seus discípulos (Mt 16:28). Isto nos fortalece, por saber, mais uma vez, que, Ele cumpre todas as suas promessas, e isso soa, como garantia e esperança para nós.

Sexto, não poderíamos deixar de mencionar, o maravilhoso encontro entre Pai e Filho, deste amor maravilhoso, desta declaração espetacular, e desta infinita e eterna comunhão entre eles.

Uma vez captada as lições gerais, voltemos a nossa atenção, para as lições particulares que o texto trás, a respeito das experiências espirituais.

Primeiro, somente os que são discípulos de Jesus, podem ter uma experiência espiritual com Ele, somente estes são convidados. Segundo, mas, nem todos os cristãos, terão experiências espirituais semelhantes, alguns, talvez, nem as terão. Veja no v.1 que é Jesus quem chama e quem toma a iniciativa. Os outros, embora discípulos de Jesus, salvos e participantes do seu amor, não tiveram esta experiência, não forma convidados por Jesus. A soberania de Deus é que determina.

Mas, nós sabemos, que, estes três discípulos, faziam parte de um círculo mais íntimo de Jesus, e teriam uma missão importante pela frente, eles seriam as principais colunas da Igreja, para isto, precisavam estar mais fortalecidos.

Podemos afirmar pois, que, aqueles que estão em intimidade com Jesus e são chamados para uma missão, serão convidados por Ele para um momento particular, de doce e graciosa experiência com Deus.

Afirmamos no entanto, que há um grande equivoco na atualidade, por parte de muitos, que pensam que todos devam ter as mesmas experiências espirituais, ou que existam “passos” e “regras” para que a possa experimentar.

Terceiro, toda experiência espiritual, visa glorificar, honrar e testificar de Jesus, não da pessoa. Veja aqui que, é Jesus quem se transfigura, é dele que o Pai testifica e incentiva a fé na Sua palavra. E, este, principio, serve para nos corrigir em dois erros que tem sido comuns.

Um, livrar-nos do orgulho, de nos sentirmos superiores aos demais irmãos, devido as experiência que tivemos, é Jesus, e não nós, que somos glorificados e transfigurados, podemos até nos sentir privilegiados e fortalecidos, mas, nunca devemos nos sentir superiores e jamais devemos nos exaltar sobre os demais.

Serve também de teste, para comprovarmos se a experiência espiritual que tivemos, é genuína, como? Basta fazer esta pergunta: Jesus foi glorificado? Eu agora O conheço melhor que antes? Tenho mais fé e segurança na Sua Pessoa, na Sua Palavra, na Sua Obra? Este é o resultado, de uma genuína experiência espiritual, e devemos sempre nos certificar de que realmente experimentamos Deus.

Quarto, a importância da Palavra sobre a experiência. Para Jesus, esta experiência, significava fortalecimento e consolo para o acontecimento final que estava para se desenrolar. Para os discípulos, visava exclusivamente, despertar a fé no que Jesus lhes falava, eles precisavam ter fé no que Jesus falava que aconteceria, eles seriam os arautos, como poderiam proclamar o que tinham dúvida?

O próprio Pai, fala: “Este é...ouçam-no”. Pedro também, algum tempo depois, ao pregar à igreja, afirmou que não pregava fábulas inventadas, (2Pedro 1:16-21), mas, uma realidade que ele experimentou, entretanto, os irmãos, não precisavam crer na sua experiência, pois, tinham o Antigo Testamento. Ele submeteu a autoridade da Palavra, sobre sua experiência. O objetivo da experiência que tiveram, foi para crer na Palavra de Jesus.

“Ouçam-no”, é a ordem de Deus. Como poderia, aqueles que seriam, as colunas, os pregadores da verdade, os anunciadores, as testemunha vivas, duvidar e descrer? Precisavam, acima de tudo, crer na Palavra, por isto tiveram esta experiência. Este não é um princípio essencial? Como precisamos aprende-lo urgentemente.

Quinto, a experiência espiritual, não elimina as falhas, os equívocos, os pecados, não equivale à santificação, esta é um processo, não um ato, nem mesmo a interpretações errôneas. Também, não é imunidade contra o pecado. Os discípulos, erraram feio, durante e depois da experiência que tiveram. Lá mesmo, falharam, com sentimentos egoístas, querendo acampar, esquecendo que os outros colegas, e que a multidão, estava ao pé do monte, e precisavam de Jesus e deles. Tiveram entendimento teológico equivocado, comparando e igualando Jesus, a Moises e Elias.

Posteriormente, estavam requerendo posição de destaque sobre os demais (Mateus 18:1; 20:30-36), dando uma de mal samaritanos (26:6-13), cortando orelha (26:56), andando armado, fugindo assustados (26:56), com medo, traindo Jesus, negando, mentindo, praguejando (26:69-75).

Um grande equivoco, é este, que muitos se sentem mais santos e imunes ao pecado após a experiência espiritual, e qual não é a sua surpresa e decepção, quando logo à frente, estão tropeçando e caindo nos mais bestiais tipos de pecados e engano. Por isso, o orgulho, o sentimento de superioridade e de separação dos “pecadores” é condenável.

Sexto, Jesus ensina os seus discípulos a serem discretos (17:9). Muitas vezes, é importante compartilhar, para edificação e fortalecimento dos irmãos, mas na maioria parte das vezes que compartilhamos as nossas experiências, falamos para nos envaidecer e engrandecer sobre os demais, para mostrar o quanto somos queridos por Deus e abençoados.

Então, aprenda com Jesus, até o momento oportuno, aprenda o princípio da discrição, “A ninguém conteis a visão, até que...”. Seja discreto meu irmão, não queira a glória dos homens.

Sétimo, as experiências espirituais, vêm, para nos tornar úteis, e como precisamos aprender isto. Aquilo que deveria nos tornar mais úteis à humanidade, tem nos tornados mais inúteis. Quantos se afastam e se separam dos demais “pecadores”, já não conseguem mais conviver com eles, após a experiência espiritual. Que grande erro. Há pessoas ao pé do monte, para serem libertas.

É bom estarmos aqui...que egoísmo, que falta de amor ao próximo, queremos ficar acampados em nossas igrejas, em nossos acampamentos, em nossos encontros, nos montes, nos congressos, nos lugares em que experimentamos Deus, esquecendo que o mundo precisa de nós. É bom estarmos aqui, mas, o mundo precisa de nós.

Então, não podemos fazer nossas tendas no monte da transfiguração, pois ao pé do monte, há uma multidão que clama por libertação, e que precisam também experimentar o poder de Deus.

Oitavo, saiba que, após a experiência espiritual, você será provado. É bom perceber isto antes que seja muito tarde. Não murmure irmão, sempre que você experimentar Deus de forma mais intensa, sentir que Ele falou com você, a seguir, haverá uma prova, um demônio a ser expulso, logo que você chegar ao pé do monte. A prova sempre seguirá a experiência.

Por fim, a experiência espiritual jamais vai gerar fé. Ela poderá fortalecer a fé, avivá-la, despertá-la, mas nunca vai gerar a fé. Também, jamais terá autoridade sobre a Palavra, antes, virá para confirmá-la, ampliar o entendimento e a confiança nela. Não virá para trazer-nos glória, mas para revelar o glorioso Jesus. Não vem para nos santificar ou para nos separar do mundo, dos pecadores ou dos irmãos, antes, para nos capacitar a estar entre eles, proclamando com maior autoridade, o Jesus glorioso que se transfigurou diante de nós, e que o Pai deu testemunho.

Ela vem para nos tornar úteis ao mundo, pois ele precisa urgentemente, experimentar Deus, e isto só acontecerá, através das nossas vidas. Então, é hora de descer do monte da transfiguração, de desfazer a sua tenda, e de vir libertar as almas do poder do diabo. Há uma multidão, ao pé do monte, que clama por libertação.
Você crê nisto!?! Então ide.


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